Diogo Silva, mais uma vez quebrou tabu e conquistou a primeira medalha de ouro para nosso país. Exclusivo para masTKD.com, ele fala de como foi seu trabalho para chegar a mais um grande título em sua carreira.
Antes de mais nada, parabenizamos você pela conquista!
Porque voce diz que focou seu trabalho desse ano para o universíade?
Agradeço ao masTKD.com que vem se mostrando como a principal fonte de informação do TKD brasileiro a oportunidade por mais uma vez.
Por dois motivos escolhi esse evento como principal para o ano:
1 – Essa competição ainda está nas regras antigas na qual estou mais adaptado e por estar mais maduro fisicamente e intelectualmente. Poderia tirar grandes vantagens no controle emocional que é a grande dificuldade dos atletas novos.
2 – Eu tenho uma meta como atleta de ser o primeiro brasileiro a conquistar todos os Jogos Oficiais onde nosso esporte está inserido:
- Jogos Sul-americanos;
- Jogos Pan-americanos;
- Jogos Universitários;
- Jogos da Lusofonia;
- Jogos Militares;
- Jogos Olímpicos;
Já conquistei três deles. Até 2012 pretendo atingir minha meta.
Conte-nos como foi sua preparação para atingir seu objectivo nesse evento.
Para 2009 a nossa grande mudança foi na preparação física onde nossa equipe (Brazilian Taekowndo Team) contratou um preparador físico estrangeiro (Claudio Aranda) para nos dar treinamentos físicos de nível internacional priorizando mais a força do que a resistência.
Você era um atleta com muito volume de luta e hoje é luta de forma mais tática. Venceu suas lutas com pequena margem de vantagem, mas com muito controle da situação. Fale sobre essa sua mudança de estilo de luta.
O atleta tem que se adequar aos novos tempos. Lutar no Brasil é completamente diferente da forma que se luta nos eventos internacionais. Nós abandonamos literalmente o estilo coreano de se treinar.
Agora fazemos parte de um estilo mais parecido com dos iranianos e russos onde os chutes são mais fortes e encaixados para valorizar o ponto. A genética brasileira não é como a dos orientais e não podemos copiá-los mais, principalmente a dos negros onde a força e explosão se adéquam melhor.
Eu faço muito treino mental, coisa que apenas uma minoria no Brasil se preocupa com isso. O nosso cérebro é o gerador central do corpo, se ele apaga o restante não tem serventia. Então fortalecê-lo é desenvolver raciocínio rápido e lógico em momentos de tensão.
Sua final no universíade foi muito polêmica contra o coreano. Conte-nos o que aconteceu.
A doutrina hierárquica coreana é global no nosso esporte. Eles criaram as regras, as leis… o que pode e não pode… então lutar contra eles você já sai perdendo.
Eu e meu técnico, Frederico, criamos uma estratégia de não repetir a mesma técnica e surpreende-lo sempre. Durante a luta não marcaram alguns pontos e no terceiro round um chute no rosto de antecipação com a perna da frente deixando a luta ainda mais complicada…
A quem você dedica essa sua conquista histórica?
Ao meu treinador, Frederico Mitooka que vem se esforçando muito para conquistar seu espaço dentro da seleção brasileira.
Quais são seus planos para o futuro?
Até 2012 eu quero me dedicar 100% ao TKD e tentar atingir minha meta de ser o maior ganhador de JOGOS do Brasil.
Você é um idealista. O que você gostaria de ver acontecer no tkd brasileiro?
Gostaria de ver uma grande reformulação interna. Tem muito peão fazendo papel de rei. A primeira reforma seria separar o TKD marcial do competitivo, professor e mestre de treinador e técnico. Criar centros de alto rendimentos e apoiá-los.
Uma instituição deve ter um órgão gerenciador capacitado para administrar empresarialmente seus subordinados. Esse é meu grande sonho pro nosso esporte.
Muito obrigado Diogo.
Exclusivo, Equipe masTaekwondo.com
brasil@mastaekwondo.com